Quando a avaliação bancária fica abaixo do preço de compra, o crédito passa a ser calculado sobre o valor mais baixo dos dois — nunca sobre o preço acordado. Num imóvel de 250.000€ avaliado em 230.000€, por exemplo, o comprador precisa de encontrar 18.000€ adicionais do seu bolso para manter o negócio.
Por Que a Avaliação Pode Ficar Abaixo do Preço
Em Santo Ildefonso e noutras zonas centrais do Porto onde os preços sobem rapidamente e há procura intensa por imóveis antigos a recuperar, é cada vez mais comum o preço acordado entre comprador e vendedor ultrapassar o valor que o perito avaliador do banco atribui ao imóvel. Isto acontece porque a avaliação bancária segue critérios próprios — comparáveis de zona, estado de conservação, área registada — que nem sempre acompanham a velocidade do mercado real.
A regra é simples: a base de cálculo do crédito é sempre o valor mais baixo entre o preço de compra e a avaliação, nunca o mais alto. Se a avaliação for superior ao preço, isso não aumenta o montante do empréstimo — a base continua a ser o preço acordado.
O Impacto no Montante do Crédito
Segundo a Recomendação Macroprudencial em vigor, o limite de financiamento é de 90% da base de cálculo para crédito à habitação própria e permanente (80% para outras finalidades, como segunda habitação ou investimento). Veja o efeito prático numa compra de 250.000€:
- Avaliação de 260.000€ (acima do preço): a base mantém-se em 250.000€, o crédito máximo a 90% é 225.000€, e precisa de 25.000€ de capital próprio.
- Avaliação de 230.000€ (abaixo do preço): a base desce para 230.000€, o crédito máximo a 90% é 207.000€, e precisa agora de 43.000€ de capital próprio — 18.000€ mais do que no primeiro cenário.
A diferença entre os dois cenários sai sempre do bolso do comprador, nunca do banco.
O Que Fazer Quando a Avaliação Fica Baixa — Por Ordem de Custo
- Reveja o relatório de avaliação à procura de erros: área da fração, garagem ou arrecadação esquecidas, obras recentes não consideradas, ou comparáveis de zonas claramente diferentes.
- Reclame por escrito ao banco, com provas concretas: anúncios de imóveis semelhantes vendidos recentemente, faturas de obras feitas, planta com as áreas corretas.
- Peça reapreciação ou segunda avaliação — a despesa é do comprador (na ordem dos 135€ nalguns bancos, por vezes devolvida se o valor subir). Só compensa quando a diferença é significativa e há argumentos sólidos.
- Negocie o preço com o vendedor — é, de longe, a opção que mais poupa ao comprador.
- Aumente a entrada, confirmando primeiro que a taxa de esforço continua a ser aprovada com o novo montante de financiamento necessário.
- Leve o processo a outro banco — se o relatório tiver menos de seis meses, o novo banco pode reaproveitá-lo; se pedir uma nova avaliação, o custo é novamente seu.
- Desista do negócio — só sem perder o sinal se o contrato-promessa (CPCV) tiver uma cláusula de condição suspensiva ligada à aprovação do crédito no montante pretendido.
Já sabe quais as suas opções de financiamento? Fale comigo sobre o seu próximo passo no Porto →
Proteja-se Antes de Assinar o CPCV
A opção 7 — desistir sem perder o sinal — só é possível se tiver sido negociada antes da assinatura do contrato-promessa de compra e venda. Depois de assinado, restam apenas as seis primeiras opções da lista. Por isso, qualquer comprador que vá recorrer a crédito habitação deve garantir que o CPCV inclui uma cláusula clara de resolução sem penalização caso o banco não aprove o financiamento no montante necessário — incluindo o cenário de uma avaliação abaixo do esperado.
O custo da própria avaliação também é sempre do comprador, independentemente do resultado: entre 239€ e 322€ nos bancos principais (valor já com Imposto do Selo), pago antecipadamente e não reembolsável se decidir não avançar.
Como Reduzir o Risco Antes de Avançar
Em zonas como Santo Ildefonso, onde coexistem imóveis já reabilitados a preços elevados e frações ainda por recuperar a preços muito mais baixos na mesma rua, a avaliação bancária é particularmente sensível aos comparáveis escolhidos pelo perito. Antes de assinar o CPCV, peça ao seu agente imobiliário uma lista de transações efetivamente fechadas (não apenas anúncios) nos últimos seis a doze meses, na mesma rua ou freguesia, com tipologia e estado de conservação semelhantes — isto ajuda a antecipar se o preço acordado está alinhado com o que um perito bancário tenderá a validar.
Também é boa prática perguntar ao banco, antes da assinatura, qual o valor médio de avaliação que tem atribuído a imóveis semelhantes na zona nos últimos meses. Nem todos os bancos partilham esta informação de forma proativa, mas alguns gestores de conta conseguem dar uma indicação aproximada que ajuda a gerir expectativas.
Perguntas Frequentes
Posso pedir eu próprio uma segunda avaliação noutro banco antes de assinar o CPCV?
Sim, e é uma boa prática quando o preço está no limite do que o mercado pratica na zona — isso dá-lhe uma margem de segurança antes de se comprometer contratualmente.
O vendedor é obrigado a baixar o preço se a avaliação for mais baixa?
Não é obrigado, mas muitas vezes aceita negociar quando percebe que, sem isso, o comprador pode não conseguir o financiamento necessário para concluir o negócio.
Uma avaliação baixa significa que paguei a mais pela casa?
Não necessariamente — a avaliação bancária é conservadora por natureza e pode não refletir toda a procura real da zona. Compare sempre com transações efetivamente fechadas na mesma rua ou freguesia.
Consultoria Gratuita · Resposta em 24h
Precisa de ajuda a avaliar uma oportunidade de compra no Porto?
Acompanho compradores em Santo Ildefonso e em toda a cidade, desde a negociação do CPCV até à escritura — incluindo as cláusulas que o protegem se a avaliação bancária correr mal.
Ou fale já comigo: WhatsApp (+351) 937 100 200 · Ligar agora · Enviar email